Um dos países mais empreendedores do mundo, o Brasil é também aquele em que a mortalidade das empresas ultrapassa todos os limites. Os motivos são diversos e cada qual deve tem seu efeito negativo. Enquanto a elevada carga tributária desestimula a competitividade e o desenvolvimento, a falta de apoio e a burocracia do Estado tolhem qualquer lampejo de empreendedorismo.
Paralelamente, ainda é preciso entender que outro componente presente nas companhias em crise é a má gestão administrativa, e o livro Quem matar na hora da crise? constitui uma importante ferramenta para debelar ou diminuir esse estado de coisas.
Diante desse quadro desolador, a obra do consultor Artur Lopes traz um alento ao mercado, que carece de trabalhos tão bem elaborados quanto este, que mostram ao leitor que nem tudo está perdido. Seu conteúdo vai ao cerne das questões, descortinando situações que muitas vezes aos olhos do empreendedor parecem intransponíveis.
Por ser multidisciplinar, o texto é de interesse não apenas de empresários, mas também daqueles que administram as companhias, advogados, contadores, economistas e até mesmo jornalistas, em função de seu conteúdo ser quase didático para um livro que poderia ser considerado técnico.
Creio ainda, sem medo de cometer aqui qualquer exagero, que a obra deve fazer parte da cesta de obras de referência em universidades de todo o país, por sua abordagem moderna e direta de problemas tão comuns àqueles que se propõem a ter um negócio.
O livro também deveria estar em cada gabinete dos poderes Executivo e Legislativo Brasil afora, pois expõe a realidade empresarial nacional e mostra que as soluções devem ser reais e não peças de ficção, contadas durante campanhas eleitorais.
Afinal, como empresário e dirigente da terceira maior associação comercial do país, posso dizer que os empreendedores não querem privilégios, mas condições igualitárias de competição com aqueles que exportam seus produtos para cá. Invariavelmente desamparado pelas políticas oficiais, o empreendedor brasileiro costuma ser tragado pelo redemoinho burocrático que assola a nação.
Profissional de reputação ilibada, sério e competente, o consultor Artur Lopes conseguiu realizar um trabalho muito bem embasado, refletindo a metodologia empregada – com êxito – pelo autor em seus projetos voltados especialmente para empresas de médio e grande portes.
Um dos pontos que chamaram a minha atenção foi a parte em que o autor discorre sobre os aspectos econômicos e financeiros da operação, invariavelmente deixados em segundo plano pelos empresários.
São características fundamentais do negócio, como a análise dos balanços contábeis e a formação das margens, que obriga o gestor a observar o comportamento de sua lucratividade e qual o impacto terá no patrimônio líquido da empresa. É algo complexo, mas precisa ser feito.
Artur Lopes tem o mérito de explorar temas espinhosos em linguagem simples e didática – apropriada ao empresário – sem tecnicismos ou jargões, facilitando com isso o entendimento e dando margem ao surgimento natural de empatia com o leitor.
Construída com base em anos de experiência de seu autor, a obra é fluida, tanto que transforma um livro técnico em leitura de interesse geral. Li suas páginas em um só fôlego e não poderia deixar de concordar com ele, quando diz que, nos tempos atuais, não se trata de saber SE a crise virá, mas sim QUANDO isso vai ocorrer, e claro, o que fazer para dissipar os seus efeitos. Este deve ser um mantra a ecoar diariamente na vida dos empresários.