Um livro de cabeceira para todo empresário. Ou melhor, do staff completo que compõe os departamentos contábil, administrativo e financeiro, tamanha a sua importância para o dia a dia de qualquer empreendedor que se preze. Não se trata de leitura pontual, mas sim exploratória e essencial. Certamente não constitui exagero resumir desta forma Quem Matar na Hora da Crise?

A obra de Artur Lopes certamente será paradigma para todo o mercado, pois tem o mérito de explicar como se dá o processo de transformar estruturas seriamente comprometidas e desgastadas em operações ágeis e lucrativas. E mesmo que isso implique cortar na carne, pois o objetivo em jogo é salvar a empresa, bem como todos que dela dependem.

Baseado em um trabalho de cunho estritamente técnico, mas apoiado em uma visão global de seu target, o especialista conduz o leitor ao microcosmo empresarial, um universo muitas vezes não sistematizado como se deve. E não faz qualquer cerimônia ao remexê-lo ao destrinchar muito mais do que números, mas sim a própria essência geradora dos fatos que acabaram por desencadear uma situação difícil.

O autor de Quem matar na hora da crise? deixa claro durante o texto que mudanças não vêm sem uma dose de sofrimento, perseverança e talvez o mais importante, maturidade. E, diga-se de passagem, as crises são pródigas em ensinar muitas coisas aos empresários, inclusive a ter maturidade suficiente para não apenas entender o que se passa em seu negócio, mas também, e principalmente, ajustar-se à nova realidade.

O consultor Artur Lopes traz em seu DNA profissional um profundo entendimento desta selva chamada mercado. Como demonstra em seu livro, tem amplo conhecimento de causa para conduzir processos delicados para recuperar uma empresa em crise. Afinal, as questões aqui tratadas são tão fundamentais que podem determinar o sucesso ou fracasso de um empreendimento.

Este livro supera o anterior, Manual de Gestão de Crise Financeira e Turnaround, pois o autor aqui traz à tona, de maneira clara e objetiva, as questões mais relevantes de uma empresa desajustada, em meio à crise financeira e operacional.

Outro grande mérito da obra é dar ao leitor uma visão multidisciplinar, longe do hábito de muitos gestores, que acreditam piamente que podem modificar a realidade da empresa com receitas duvidosas a partir de um gabinete asséptico e refrigerado.

Ao contrário, o consultor deixa bem claro que a dificuldade financeira decorre, quase sempre, de fatores operacionais que, se não corrigidos em tempo, sempre ensejarão o agravamento da situação. E, mais adiante, à falência da empresa.

No decorrer do livro, é interessante notar a ausência de subterfúgios, fórmulas mágicas, peças de prestidigitação ou similares. Em verdade, Artur Lopes não esconde a realidade debaixo do tapete, ele a desnuda de tal maneira que esta salta aos olhos até do mais cego dos empresários, que mesmo querendo, nem sempre consegue enxerga de forma neutra e fidedigna o que se passa com o seu negócio.

Francisco Vacco (Paquito) Diretor Comercial – Athena Banco