Se a tarefa de escrever um prefácio sobre as ideias de outra pessoa não é das mais simples por si só, o que dizer, então, quando a missão é falar sobre alguém com a credencial de peso de meu grande amigo Artur Lopes, autor de tão preciosa obra e profissional apaixonado pelo trabalho que exerce: salvar empresas da falência iminente.
Quem matar na hora da crise? A começar pelo título intrigante e que instiga a curiosidade do leitor, ainda que não seja um livro policial ou de suspense, muito menos de autoajuda, seu texto traz na essência todo o arcabouço de conhecimento adquirido pelo autor, em mais de 20 anos de atuação no mercado.
Em um mundo totalmente plugado e on-line, no qual as informações vão e vêm num ritmo frenético, empresários que não dispõem de uma visão global do negócio estão fadados a fechar as portas.
Se décadas atrás uma crise na Europa ou nos Estados Unidos levava meses ou até anos para repercutir em países mais longínquos ,hoje, com a vertiginosa velocidade das operações mercantis e financeiras e a virtualização do capital, reverbera em tempo real em qualquer parte do mundo e de forma mais devastadora.
Este livro constitui um guia seguro para o processo de sublimação de toda a ordem de dificuldades encontrada pelos empresários, inclusive mostrando casos verídicos (mas escritos de modo a proteger os envolvidos), norteando estratégias e mostrando o caminho certo.
O autor é reconhecido, no meio empresarial, por sua lealdade com os clientes, algo em extinção no mercado. Da condução técnica dos projetos de recuperação da empresa à confidência de informações estratégicas, Artur Lopes conduz com maestria as questões dos clientes, sempre focando o objetivo da empresa e deixando de lado vaidades e outros aspectos subjetivos desse intricado processo.
Não é do tipo que enrola o cliente ad infinitum, em busca de tirar proveito do despreparo ou da boa-fé alheia. Como mostra no livro, faz o essencial para que a empresa em dificuldade possa voltar a respirar "sem a ajuda de aparelhos" e a andar com as próprias pernas.
Quem matar na hora da crise? chama a atenção também porque seu autor conseguiu a proeza de abordar aspectos técnicos complexos, nem sempre fáceis de lidar, em uma linguagem simples e articulada.
Artur Lopes tem o mérito de analisar todas as características das operações empresariais, circulando com desenvoltura entre temas que tratam da origem da crise em si, mostrando como o ego e o egoísmo do empresário podem colocar tudo a perder.
Nem sempre é fácil convencer o empreendedor a mudar determinadas posturas e a realizar alterações radicais, como o fechamento de uma unidade fabril, a demissão de funcionários ou o corte de despesas.
Entretanto, o autor é mestre em mostrar ao cliente a melhor saída, sem se perpetuar na empresa, ocasião esta em que o consultor acaba tornando-se, em verdade, um fardo e não uma solução. Assim, o grande mérito do autor é, conforme diz o velho ditado, recusar-se a dar o peixe ao empresário, mas ensiná-lo a pescar.